Hipocondriaco?? Ganda Maluco.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Cenas Diferentes
Após alguns posts mais pesados, também há coisas giras nisto.
De vez em quando, fico gravemente doente, qualquer coisa á volta de cancro, ou ataque cardiaco.
Quando chego ao Hospital, e vou ter com o medico, digo tudo o que sinto, qualquer coisa do estilo:
Medico: - Ora então muito boa noite...
Eu: - Boa noite senhor doutor
Medico: - Então diga lá o que lhe traz aqui?
Eu: - Senhor doutor, vim aqui por que sinto que estou a ter um enfarto - Começo logo bem, vou a um médico e já tenho diagnostico.
Medico: - Ai sim? E então diga lá o que sente..
Eu: - (Eu no meu auge, digo tudo o que posso imaginar, mas já lhe tinha dito o que sentia né) Ora bem, sinto algumas pontadas no peito, de vez em quando sinto uns soluços no coração, os chamado extra-sistoles, também tenho um formigueiro nas mãos, e fortes dores de cabeça. Uma coisa que sinto também, é enjoos, e vomitos, sendo que transpiro bastante. Ontem também senti algum desconforto e falta de ar. penso ser tudo
Medico: - (Após respirar fundo) Ora bem, portanto está com um enfarto do miocárdio, uma pneumonia, e ja teve o AVC por isso já não interessa, parece-me que tem um problema de coluna, e deve mudar de Desodorizante. Pois bem, sendo assim está tudo ok. Pode ir para casa descansado
Eu: - (Desperado) então mas não faz nem um exame? Um electrocardiograma que seja...
E lá fui eu para casa, trsite, afinal estava saudável...
13 de Julho de 2010, 22:19
13 de Julho de 2010, 01:23
Pois bem, cá estamos.
Hoje tem sido um dia difícil, acordei de manha, e comecei a sangrar pelo nariz, coisa que me acontece recorrentemente, mas hoje preocupei-me mais, estraguei o dia, entrei em pânico, pensando que pudesse ser uma consequência de um AVC. Fui para o trabalho, e não pensei em mais nada, li na internet, pesquisei sintomas, analisei, analisei, e fiquei pior.
Vim para casa de tarde, não conseguia trabalhar. Entretanto passou, racionalizei, e percebi que estava a ser parvo.
Contudo, isto não é o que me preocupa. No dia 24 de Maio de 2010, bateram-me no carro, uma coisa simples. Meti na cabeça que estava mal do pescoço, e tinha dores que me afectavam a respiração (sinceramente, acho que estava mesmo). Isto levou-me á urgência, e posteriormente tomar medicação.
Desde essa altura, comecei a sentir um mau estar na zona abdominal, situação que já não é a primeira vez que surge, já tinha acontecido em Dezembro, para agravar de vez em quando encontro sangue vivo ao evacuar, ou seja, pânico. Li, reli, voltei a ler, e em todo lado, diz, que estará relacionado com hemorróidas, mas e meter isso na minha cabeça? Nahhh....
Na semana passada estava muito mal disposto, fui ao medico, e ele fez-me umas analises e um raio-x abdominal, que não acusaram nada. Sai de lá aliviado, mas cheguei a casa e fui ver que tipo de analises foram feitas, e verifiquei que nem o raio-x nem as analises detectam por exemplo cancro do cólon...pânico L.
Penso que já li 6000 fóruns, médicos, tudo, e em nada mostra que o que eu tenho poderá andar lá perto, mas e convencer a minha cabeça disso?
Eu próprio já fiz o meu diagnostico...Síndrome do Intestino Irritável, faz sentido, porquê que não me descansa? Que nervos...
Já marquei uma consulta para o gastrenterologista, vamos ver o que dá...é só dia 4 de Agosto.
Já pensei que fosse sistema nervoso, mas e se não for? Provavelmente terei de fazer a colonoescopia, o que não é agradável, mas tem de ser, desde que não seja com anestesia geral, tranquilo...o facto de saber que vou adormecer, sem puder fazer nada, não me agrada. Vamos esperar que as coisas corram bem.
Bem, estou cheio de gases, e já estou a magicar outra vez, mais vale ir dormir, para tentar pelo menos durante umas horas descansar o meu cérebro destes males todos.
Introdução
As primeiras imagens que tenho da minha vida, remetam-me para os meus 4/5 anos, ou seja á cerca de 18/19 anos.
Já nessa altura havia medos que me apoquentavam diariamente, sentia medo de tudo o que pudesse fazer mal, e preocupava-me com coisas que mais ninguém da minha idade se preocupava.
Lembro-me de uma vez estar sentado num passeio, e de um carro ao estacionar me bater nas costas, senti uma dor, e desatei a correr, apenas parando no hospital, não para ir ter com nenhum médico, mas para ir ter com a minha mãe (santa J), que trabalha como empregada auxiliar de acção medica, e que durante anos foi a minha medica/psicóloga de serviço, mas voltando á historia, cheguei ao hospital desesperado, contudo nem sequer sabia o que tinha, apenas achava que era muito grave. Enfim não passou de um susto, resolvido com uma limpeza e desinfectando.
Actualmente quando converso com a minha mãe sobre o assunto, vão surgindo algumas teorias para este distúrbio, segundo ela, também sofria do mesmo problema na fase da adolescência, também ela tinha “medo da doença”. Contudo isso deve ter passado, sendo actualmente exactamente o oposto (Como a invejo J). Uma outra teoria gira em torno da minha avó paterna, ela também muita queixosa, e na grande maioria das vezes sem motivo aparente, com quem fui criado, e com quem passei grande parte da minha infância e adolescência. Conta-me a minha família, que muitas para me “obrigar a comer”, me dizia que se não comesse “morria”, sendo isto apenas um exemplo, das muitas historias que foram surgindo.
Lembro-me que até aos 13/14 anos as coisas foram mais ou menos pacificas, com uma ou outra historia pontual, como quando com 6/7 anos engoli uma pastilha elástica e obriguei a minha avó a levar-me ao hospital. Contudo a partir do momento em que as coisas começaram a ser mais reais, ou seja, a partir do momento em que comecei a ter a percepção que não somos imortais, as coisas começaram a degradar. Não tenho episódios de grande ansiedade, mas lembro-me que durante anos, nunca me senti complemente confortável, nunca me senti livre, e isso é desgastante.
Aos 20 anos surge a pior fase da minha vida, durante meses a fio, entrei num quadro de psicose, pânico constante, e com 33 visitas em 9 meses ao hospital. Tive 12 enfartos do miocárdio, uns 10 Acidentes Vasculares Cerebrais, e um conjunto infindável de cancros. Felizmente todos eles foram curados em pouco mais de 10 minutos, mas mesmo assim valeu o susto J
Durante cerca de um ano, vivi um desespero inimaginável, tinha medo de sair de casa para não desmaiar, tinha medo de correr para não ter um ataque cardíaco, enfim, tinha medo quase de respirar.
Esta fase apenas foi ultrapassada porque surgiu um convite para entrar no mundo do trabalho, na área que eu pretendia, e mais cedo do que o normal, e com isso ocupei a cabeça durante 3 anos, o que não quer dizer que não acontecessem episódios esporádicos, contudo, nada comparável ao que tinha passado, uma coisa bem mais soft.
Pois bem, isto traz-nos até aos dias de hoje, e até á minha necessidade de escrever este diário. Desde á um mês para cá piorei, voltei a ficar psicótico, mas quero acreditar que vai passar, que é uma fase má, mas que passa. Tenho medo de perder o controlo, de ficar “maluco”, de entrar em depressão, de acabar internado numa clínica psiquiátrica, mas isso não me pode vencer, e por isso necessito de encontrar com quem falar, encontrar com quem partilhar a minha dor, o meu sofrimento.Hipocondriaco
Desde á muitos anos que tentei começar a escrever este livro, muitas vezes escrevi o primeiro paragrafo, outras tantas vezes até escrevi paginas inteiras, contudo acabo sempre por parar.
O que me leva a escrever isto? Talvez a pergunta que tantas vezes me faço, sou hipocondríaco e agora?
Parafraseando uma enciclopédia muito conhecida...
“hipocondria, do grego hypo- (abaixo) e chondros (cartilagem do diafragma, também conhecida por nosomifalia, é um estado psíquico em que a pessoa tem crença infundada de se padecer de uma doença grave. Costuma vir associada a um medo irracional da morte, a uma obsessão com sintomas ou defeitos físicos irrelevantes, preocupação e auto-observação constante do corpo e até as vezes, à descrença nos diagnósticos médicos. Muitas vezes encarada como algo engraçado, a patologia é séria e prejudica a vida de pacientes e parentes
Um grande contingente de pessoas saudáveis do ponto de vista clínico e laboratorial recorre diariamente a hospitais, consultórios, sempre reclamando de doenças graves. Inconformados com médicos e exames que indicam a inexistência de qualquer problema de saúde, muitas dessas pessoas saem dali directo para a avaliação de outro profissional, na expectativa de encontrar o diagnóstico sobre o mal que supostamente os apoquenta. A procura será em vão e aí pode estar o indício de uma doença real, embora essa ainda não seja imaginada pelo paciente. Trata-se da hipocondria ou a ‘mania de doença’, como é mais conhecido o mal que se caracteriza pela super valorização de sintomas corriqueiros e perfeitamente normais.
A hipocondria pode vir associada ao transtorno obsessivo compulsivo e à ansiedade.
Um hipocondríaco é um indivíduo que se preocupa em demasia com a possível presença de doença. Geralmente reconhecem a presença de sinais e sintomas das mais variadas patologias no seu próprio corpo, entrando por vezes em estados de pânico. É tido como um distúrbio psiquiátrico, necessitando muitas vezes de ajuda médica especializada. O hipocondríaco em muitos casos se sente melhor ao tomar uma série de remédios para se dopar, achando assim, estar livre das supostas doenças. Alguns relatam que ficam felizes ao tomar os remédios. por vezes entra numa depressão profunda por pensar ter muitas doenças.
Muitos hipocondríacos descobrem métodos alternativos para curar ou amenizar as supostas doenças, que no seu caso funcionam, pois a doença é, na verdade, sintoma da hipocondria. Como é algo mental, qualquer coisa deduzida o seu cérebro é capaz de reproduzir, portanto se a "vítima" deduzir que tal coisa irá melhorar ou agravar o seu estado de saúde, geralmente ocorre, porque a própria doença é criação de sua cabeça. Muitos ligam alguns acontecimentos como agravador ou causador da doenças, sendo que a maioria deles não faz sentido.”
Poderia dizer, que é um excerto lógico, e com sentido. Mas será que um simples leigo poderá imaginar o que sentimos? Será que os nossos amigos e familiares quando muitas vezes brincam, gozam, fazem ideia do nosso sofrimento? Penso que não, só assim se justifica, um conjunto de atitudes parvas, sem sentido e por vezes dolorosas, com o único intuito de brincar com a situação.
A minha grande dificuldade será, escrever muitas paginas sobres este assunto, uma vez que não sou medico, ou investigador, sou um simples humano que sofre de “varias doenças, e que sente que já ninguém o ouve.
Quantos de vocês não pensam na história do “Pedro e o Lobo”. Pois é, é assustador não é?
Pois bem, vou contar a minha história, e pode ser que alguém se identifique com ela, e que com isso se sinta menos só, se sinta menos desesperado.